terça-feira, 10 de março de 2015

Música melhora capacidade de leitura, diz estudo



Não é de hoje que os pesquisadores observam que estudantes que decidem aprender a tocar um instrumento musical se destacam em diversas áreas, como leitura, raciocínio e habilidade de atenção não-verbais. Agora, Nina Kraus, diretora do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade de Northwestern, estuda o motivo pelo qual isso acontece.

Nina, que também colabora com o projeto Harmony, tenta entender como a formação musical pode aproveitar a plasticidade natural do cérebro, ou a adaptabilidade, para ajudar os alunos a se tornarem melhores estudantes e leitores do que a média – mesmo quando crescem em ambientes pobres.

Segundo a revista Good, a pesquisadora sempre teve certeza de que havia algo de especial sobre a instrução musical. Como o cérebro pode mudar de maneira positiva em resposta a qualquer atividade significativa, ela acredita que a música oferece benefícios exclusivos. “Música e competências linguísticas dependem do processamento auditivo. Embora a leitura não possa ser pensada como uma atividade essencialmente auditiva, seu fundamento repousa sobre uma criança entendendo a entrada auditiva e a absorvendo, a fim de mapear corretamente os sons da fala sobre representações ortográficas”, disse Nina à Good.

“Muitos dos mesmos aspectos de processamento de som que são deficientes em crianças com dificuldade de aprendizagem e linguagem parecem ter sido reforçados naqueles que recebem formação musical, e intervenções baseadas em música têm demonstrado algum sucesso na remediação de problemas de leitura, também”, afirmou ela.

Então, para entender se a música poderia alterar o fato de que crianças que cresceram em locais mais pobres mostram pior codificação neural do som – o que leva a processamento auditivo “ruidoso” e menos eficiente –, ela decidiu fazer um estudo. Nina recrutou alunos em uma cidade do interior de Chicago e os combinou de acordo com seus QIs, habilidade de leitura e velocidade com que seus nervos auditivos eram ativados.

Dois anos mais tarde, ao conferir a capacidade do cérebro de codificar discurso, ela encontrou uma diferença significativa: as crianças treinadas com música foram capazes de mostrar respostas mais rápidas a um estímulo de fala. Seus cérebros, ao que parece, tinham se adaptado e melhorado. E foi a música que fez a diferença.

“Nós adicionamos um novo capítulo fundamental na história da música e educação”, diz Kraus. “Devido à sobreposição entre os circuitos neurais dedicados à voz e música e a rede de distribuição de circuitos cognitivos, sensório-motor e de recompensa envolvidos quando as pessoas tocam música, parece que o treinamento musical é algo particularmente potente na plasticidade de experiência do cérebro que influencia no processamento do som relacionado aos estudantes”, afirmou.


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